Ferrugem, o grande vencedor do último Festival de Gramado, trata de um tema muito inquietante: crianças e adolescentes que estão tirando a própria vida. Se você ainda não foi ao cinema, pare tudo e vá agora.

Creio que não tenha sido por acaso, lançá-lo ao grande público justamente no final de semana que antecedeu o Setembro Amarelo. É um mês em que todas as atenções estão direcionadas a discutir o suicídio, especificamente os praticados por crianças e adolescentes.

Parece surreal, mas de acordo com um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde, entre 2000 e 2015, os casos de suicídio entre crianças de 10 a 14 anos, aumentaram 65%. Já entre aqueles com idade entre 14 e 19 anos, o crescimento foi de 45%. São número assustadores.

Para completar esta tragédia, os casos de bullyng e assédio via redes sociais só pioram o quadro. É disso que trata Ferrugem. Assim como na série 13 Razões Para…, da Netflix, uma adolescente tira a própria vida, depois que vídeos íntimos são espalhados pela internet.

Ferrugem provoca uma grande reflexão

O filme dirigido por Aly Muritiba não vai deixar você confortável. Diante da tragédia anunciada, o pai do provocador do caos, tenta encobertar o que o filho fez. O pior: ele é um professor do Ensino Médio. Para mim, isso agrava ainda mais a situação.

O fato concreto é que a crueldade dos jovens parece não ter limites. E as redes sociais são terreno mais do que fértil para propagação das mais variadas sandices.

Assim como falei neste post, Ferrugem mostra o terrível silêncio, a incapacidade de diálogo entre pais e filhos.

O Setembro Amarelo é, literalmente, um grande sinal de alerta. Pais, amigos, tios, enfim, todas as pessoas que convivem com jovens precisam ficar muito atentos.

Depressão não é manha, frescura. Vontade de se matar pode ser muito mais que atitude de um jovem mimado. Se você está ao lado de alguém nessas condições, estenda-lhe a mão. Ofereça colo, ombro, ouça. Isso pode fazer toda a diferença.

 

 

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