Falta eu sinto há 15 anos. Desde que meu pai se mudou para o outro plano, minha vida nunca mais foi a mesma. Foi com ele que vivi a maior experiência amorosa da minha vida. Algo que me fez uma pessoa muito melhor.

É possível dizer “te amo”, sem propriamente dizer. Como é possível saber educar sem ter nunca pisado em uma sala de aula. Esses paradoxos fazem sentido com o protagonista da história da minha vida. João José de Almeida, um agricultor, analfabeto, sabia apenas fazer contas e assinar o nome.

Desde pequeno trabalhou muito. Casou-se com minha mãe e tiveram nove filhos. Eu sou o caçula. Vivemos a maior parte da nossa vida em Rolândia. Antes, ele começou a “vida” em Guaraci, onde nasceram todos os meus irmãos. Depois mudou-se para Longuinópolis, um patrimônio de Braganey, na época, distrito de Corbélia, cidade da minha certidão de nascimento.

FALTA FÍSICA, NUNCA ESPIRITUAL

A descoberta de um câncer, levou-nos para Londrina, onde ele se tratou e se curou. Viveu conosco por mais 31 anos. Um acidente vascular cerebral tirou-o do nosso convíveo.

Meu pai faz muita falta. Era um homem de muitas e adoráveis gentilezas. Certo dia, viajando com ele, paramos no Posto Paraíso, em Andirá, norte do Paraná. Na saída, disse-lhe que ali tinha o suco de laranja mais gostoso que eu já tinha tomada na minha vida. Desde então, em qualquer viagem que fizéssemos, ali era parada obrigatória.

Na vida, precisamos de quem pegue na nossa mão e, não importa de qual forma, nos diga o quanto somos amados e valorizados. São nos pequenos gestos de carinho que se revelam os maiores sentimentos. Aquele homem simples, nunca verbalizou que me amava. Mas ele fez isso todos os dias, sem falhar um sequer. E isso me fez um filho muito grato e feliz.

E você, vendo esse vídeo se lembra de quem?

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